quinta-feira, 21 de março de 2013

Psicologia Fisiológica



Psicologia Fisiológica 




PELO
Prof. Dr. Aníbal Silveira («1902  V1979 )
Chefe de Clínica Psiquiátrica do Hospital de Juqueri, S. Paulo.
Docente-livre de Psiquiatria, Universidade de São Paulo  



BREVE NOTA HISTÓRICA
Desde meado do século XIX a psicologia vem firmando mais decisivamente a tendência para filiar os processos psíquicos ao dinamismo cerebral. Passaremos em revista somente as fases principais dessa orientação, e em traços rápidos para não fugir aos limites da presente obra.
Wundt — Coube ao grande psicólogo de Leipzig romper com a orientação meramente especulativa da introspecção, ao erigir a fisiologia cerebral em método de psicologia fisiológica. O próprio termo "psicologia fisiológica" como expressão de conceito doutrinário deve ser a ele atribuído, com as ressalvas que adiante mencionaremos. Nas "Vorlesungen über die Menschen-und Tierseele"9, em 1863, e principalmente nos "Grumdzüge der physiologischen Psychologie", em 1874, 1880, não somente Wundt estabelece clara distinção entre várias categorias de fenômenos psíquicos, mas se detém largamente nas correlações entre função e estrutura — esta baseada na anatomia cerebral de Meynert.
E mais, chega a estabelecer as sedes cerebrais correspondentes às distintas funções.
Distingue Wundt as seguintes fases no trabalho mental: 1º) as sensações, que vão integrar as representações mentais; 2º) estas, quando referentes ao estímulo real constituirão percepções e quando atinentes à imagem subjetiva denominar-se-ão por isso concepções imaginárias; 3º) a seu turno a percepção, passiva ou ativa, dará origem a noções subjetivas, cuja gradação vai da noção complexa à noção geral e às formas de intuição; há ainda a considerar 4º) o conceito, expressão de correlações sistemáticas, isto é, conhecimentos deduzidos.
Caracteriza como apercepção a entrada da percepção para o foco central da consciência. Pelo aspecto localizatório, atribui aos "centros sensoriais" do córtex cerebral a função de percepção, ao passo que a apercepção constituiria atributo de outro órgão mais especializado, situado na região frontal do cérebro; a sensação propriamente dita estaria afeta aos núcleos cinzentos intracerebrais subordinados ao mantocortical.
O grande passo efetuado pela psicologia sob o influxo de Wundt foi liberar-se do jugo metafísico. Todavia o eminente psicólogo não pôde escoimá-la de alguns vícios, enquadráveis em dois grupos:
1º) o de endossar a doutrina dos "centros cerebrais" — já então desacreditada perante a verdadeira fisiologia do cérebro — e utilizá-la para estabelecer o paralelismo psicofisiológico;
2º) a redução de todos os atributos subjetivos, inclusive sentimentos, emoção, volição, a fenômenos de  consciência, isto é, de apercepção.
Contra este desvio fundamental logo se erguem os fatos do próprio ramo psicológico aqui mencionado, urdidos sob orientação mais ampla.
Ziehen — "As doutrinas aqui professadas divergem acentuadamente da Wundt, que domina os centros alemães, e se aproximam de modo íntimo da chamada psicologia associativa dos ingleses". É como se exprime desde 1880, no prefácio da "Physiologische Psychologie", o psicólogo e psiquiatra de Jena. E pouco adiante: "Ao introduzir na interpretação dos processos psíquicos e recurso (Hilfsgrösse) particular da chamada apercepção, Wundt ladeia numerosas dificuldades na explicação do fenômeno: onde aparece um fato psicológico dificilmente explicável, para ali empurra ele a apercepção". Na orientação de Ziehen "a psicologia se atém exclusivamente aos fenômenos psíquicos a que correspondem processos paralelos na fisiologia cerebral". Ademais, como psiquiatra recorre ele aos conhecimentos anatomoclínicos, aos dados da experimentação em animais e à dissociação de funções estabelecida nas doenças mentais, ao encarar os problemas psicológicos. É, a nosso ver, o que lhes empresta colorido humano, colocando-os em plano construtivo. Da mesma forma que Wundt, distingue Ziehen da sensação a representação e a percepção. Em vez de utilizar, porém, o termo "apercepção" de Leibnitz e Wundt, designa como percepção (Wahrnehmung) o fenômeno de tornar-se consciente a sensação. Situa tais fenômenos, bem como os conceitos — concretos e abstratos — em regiões distintas do córtex cerebral. Recorre, aliás para isto, a noções neuranatômicas muito mais diferenciadas do que as utilizadas então por Wundt. Também merece relevo a maneira pela qual define os afetos e o tono afetivo não apenas como independentes dos processos intelectuais senão também como reguladores destes e das ações. Apesar de adquirir mais sólida base, anatomoclínica e experimental, a psicologia fisiológica não conseguiu desvencilhar-se, com Ziehen, de relevantes senões. Por outro lado, acham-se aí confundidas funções subjetivas de conação e atos objetivos; por outro lado, consideram-se expressões necessariamente idênticas "psíquico" e "consciente". E Ziehen acentua: " Para nós, processos psíquicos inconscientes constituem de início conceito totalmente vazio, que ainda enfrentaremos mais tarde como hipótese, porém desde já com grande desconfiança ("aber von vornherrein ein grosses Misstrauen entgegenbringen").
Essa mesma posição doutrinal se mantém na 12ª edição, largamente refundida, publicada quase 30 anos mais tarde. Não obstante Ziehen discute aí farta documentação bibliográfica relativa a fenômenos conscientes, inconscientes e subconscientes; e em numerosos passos cita McDougall, o qual tão claramente distingue das ações explícitas o componente conativo.
Dois novos rumos trouxeram a psicologia fisiológica até o conceito atual. Na escola personificada em Ribot passou ela a se apoiar de preferência  nos dinamismos funcionais, deixando de lado os aspectos meramente estáticos das correlações psico-estruturais. E as concepções eminentemente inovadoras de Pavlov lhe trouxeram nova compreensão, baseada agora em experimentação animal de tipo altamente diferenciado.
Ribot — O característico fundamental do método de Ribot advém da doutrina fundada por Augusto Comte, no sentido de que o exame dos fenômenos patológicos permite aperfeiçoar os conhecimentos relativos ao estado normal correspondente. Reconhecem-no — como também em relação a Claude Bernard, igualmente inspirado em Comte — com razão Achilles-Delams e Boll ao apreciarem o método psicológico: "Théodule Ribot, que, por intermédio de Taine, se liga a Augusto Comte, o mestre da filosofia contemporânea, exprime-se por forma análoga: "O método patológico utiliza, ao mesmo tempo, a observação pura e a experimentação. É um poderoso meio de investigação, que tem sido fértil em resultados. Com efeito, a doença é uma experimentação da ordem mais sutil...instituída com processos de que a arte humana não dispõe... A fisiologia e a patologia — tanto as do espírito como as do corpo —, não se opõe uma a outra como coisas antagônicas, mas antes como duas partes de mesmo todo".
Embora também Ziehen, e mesmo de certa forma Wundt, houvessem recorrido aos distúrbios mentais ao analisar os fenômenos da psicologia, cabe a Ribot prioridade em recorrer àqueles como parte integrante do método de pesquisa psicológica. Ademais, dois traços distanciam da obra psicológica dos autores precedentes à construção do grande psicólogo francês: a supremacia concedida aos sentimentos na estrutura da personalidade e a concepção dinâmica do inconsciente e dos fenômenos de consciência.
Em "La psicologie des sentiments", não apenas caracteriza as emoções, que classifica em simples e complexas, mas analisa sob o aspecto dinâmico os sentimentos propriamente ditos; e distingue no instinto de conservação manifestações fisiológicas, outras defensivas — medo, e ofensivas — cólera; da mesma forma que reserva capítulos especiais aos sentimentos "sociais", "morais" e "religiosos".
"Lembraremos que para nós — diz Ribot —, a consciência não é uma entidade, mas uma soma de estados, cada um dos quais constitui fenômeno particular ligado a certas condições da atividade cerebral, o qual existe quando estas existem, falta se elas faltam, desaparece quando elas desaparecem". E frisa adiante a relatividade dos estados de consciência na unidade subjetiva: "A unidade subjetiva (du moi), no sentido psicológico, consiste pois na coesão, durante um tempo dado, entre certo número de estados claros de consciência — acompanhados de outros menos claros — e uma multidão de estados fisiológicos que, sem se acompanharem de consciência como aqueles congêneres, agem tanto quanto eles e mais que eles".
Ao retomar, ulteriormente, o problema do trabalho intelectual de abstração, acentua — em contraste com o intelectualismo então dominante nas teorias psicológicas — o papel psicodinâmico dos processos inconscientes no próprio raciocínio: "O pensamento simbólico , tem-se repetido freqüentemente, constitui pensamento por substituição. Esta fórmula não é admissível senão sob a condição de reconhecer-se que o substituto pressupõe, exige, a existência contemporânea (actuelle) do substituído. Há substituição quanto à consciência, não quanto à operação total. Para resumir tudo em uma palavra: a psicologia da abstração e da generalização é, em grande parte, psicologia do inconsciente".
Não foi dado a Ribot tirar todas as conseqüências de que o método psicopatológico é capaz para o conhecimento da psicologia normal. Atribuímos isto, em parte, à insuficiente análise clínico-psiquiátrica de que dispunham os psiquiatras na época. A esse respeito são pertinentes as considerações de Boll e Band, que logo comentaremos. Na maior parte, porém, foi isso devido a não dominar inteiramente o pensamento médico-filosófico de Comte, no qual se inspirou, conforme dito. Apreciando a nova senda aberta pelo psicólogo francês, dizem Boll e Band:
Grande parte da obra de Ribot reflete tais preocupações, mas o esforço do ilustre psicólogo não podia levar a resultados definitivos senão na medida em que os fatos patológicos por ele interpretados estavam solidamente estabelecidos. Ora, nesses fatos podemos distinguir três grupos:
a) Certo número se prende a sínteses que não resistiram à prova do tempo. Os acasos da vida haviam aproximado Ribot e Charcot; o psicólogo aceitou as idéias do médico, em particular a teoria da histeria e do hipnotismo: dessa teoria quase nada subsistiu; e não é difícil conceber que uma interpretação clínica errônea possa unicamente extraviar o psicólogo que nela se baseie.
b) Certos outros fatos, clinicamente exatos, se reportavam a transtornos que desorganizavam a substância nervosa: é o caso principalmente deDoenças da memória.
c) Outros fatos patológicos, finalmente, como os que Ribot passa em revista nas Doenças da vontade, fazem supor a existência de uma patologia dessa "entidade"; ora, parece que tal entidade se esvai quando procuramos defini-la como função autônoma, e que as pretensas doenças da vontade não sejam senão casos particulares de mecanismos deficientes.
"Ribot parece, aliás, ter reconhecido que o terreno da experimentação patológica era muito pouco sólido, pois o abandonou nos ensaios de síntese, tais a Psicologia dos sentimentos, o Ensaio sobre a imaginação criadora, a Evolução das idéias gerais; a despeito da tendência nitidamente acentuada para a pesquisa objetiva dos fatos, Ribot é por vezes levado aí a interpretações subjetivas, a construções teóricas, das quais o mínimo que podemos dizer é que não são infirmadas nem verificadas pelos fatos. Logo, os resultados devidos a Ribot foram limitados pela insuficiência dos materiais que as ciências médicas lhe  forneciam".17
Cabem a este respeito três observações. Acreditamos que mesmo com a insuficiência de materiais disponíveis seriam possíveis conclusões mais aprofundadas, pois Audiffrent, discípulo direto de Comte e médico, construiu na mesma época (1869, 1874) monumentais estudos sobre as funções cerebrais 8,9. Igualmente não concordamos com os autores em que Ribot considerasse "entidades" disposições subjetivas complexas como a vontade: o trecho que há pouco citamos sobre "estados de consciência",69 revela claramente o espírito positivo — e atual ainda hoje — do grande psicólogo. E, finalmente, aquelas construções teóricas a que aludem Boll e Band são verificáveis pelos fatos clínicos uma vez que se analisem estes mais a fundo e não apenas pelo significado superficial.
Ribot apontava, de resto, para os inconvenientes de se tratarem fenômenos subjetivos, biológicos em última análise, por métodos peculiares então às ciências básicas. Assim, embora reconhecendo as tendências gerais da psicologia da época para recorrer à experimentação e às aferições precisas — diretrizes que apreciou com justeza ao analisar as escolas alemãs70  — , advertia: "Seria precipitado introduzir no estudo dos fenômenos psíquicos a medida, o cálculo, o método quantitativo, característico das ciências que atingiram a maturidade".69
Pavlov — Ainda mais nitidamente que Ribot, estabeleceu o insigne fisiologista de Koltushy — hoje Pavlov — correlações entre funções psíquicas e dinamismos fisiológicos do cérebro. Ao precisar as condições para o aprendizado e a assimilação intelectual, assim define ele os estados de consciência: "Sob esta luz a consciência aparece como a atividade nervosa de certa parte dos hemisférios cerebrais que possua em dado instante, nas condições do momento (present), certa atividade em grau ótimo — provavelmente moderado. Ao mesmo tempo as restantes partes dos hemisférios permanecem em estado de excitabilidade mais ou menos atenuada (diminished). Na região cerebral em que há o ótimo de excitabilidade novos reflexos condicionados se formam facilmente e a diferenciação se desenvolve com êxito".66
Coerentemente, depois de haver demonstrado à exuberância os fatores psicológicos da digestão, utilizou Pavlov os reflexos a que chamoucondicionados, ou condicionais, como método fundamental na experimentação psicológica: "O estudo dos reflexos condicionados constitui a real, verdadeira fisiologia dos hemisférios cerebrais, como o estudo da circulação sanguínea constitui a fisiologia do coração e dos vasos sanguíneos.67 É justamente nesta particularidade metodológica, em que a atividade cerebral é investigada no animal intacto e colocado em condições psicológicas precisas que reside, a nosso ver, a originalidade essencial da escola pavloviana. Os fenômenos em si mesmos concordam com os que se consideram — sob terminologia diversa — em outras escolas psicológicas.
Dos atos atinentes à manutenção do indivíduo e da espécie, os quais por um lado exigem "completa síntese da atividade interna do organismo... e por outro lado são excitados de modo estereotipado por estímulos externos e internos precisos e não numerosos" diz Pavlov: "Denominamo-los reflexos incondicionados especiais e complexos. Outros lhes atribuem nomes vários: instintos, tendências, inclinações etc. Aos estímulos para tais atos chamamos, por conseguinte, estímulos incondicionados".67   Mas qualquer fenômeno natural inteiramente alheio a essa atividade instintiva pode associar-se, ao acaso ou deliberadamente, ao ato — por exemplo, o de comer. "Dessa forma o centro subcortical para o reflexo alimentar se excita, todos os outros estímulos que atingem simultaneamente os mais finos receptores dos hemisférios parecem visar este centro, direta ou indiretamente, e com ele podem tornar-se firmemente ligados todos os estímulos que nesse momento caiam sobre os mais delicados receptores dos hemisférios cerebrais. Ocorre então o que chamamos reflexos condicionais, isto é, o organismo responde com atividade complexa bem definida a uma excitação exterior à qual não respondera previamente".67  Tanto os reflexos condicionais quanto os incondicionais podem estabelecer-se como seriados ou como complexos e ser, quanto à dinâmica, ora eficientes, ora inibidores. Da mesma forma que esses conceitos, os de dominantes condicionais e incondicionais, de analisadores sensoriais, de atividade cortical criadora, conservadora ou transformadora, de fase paradoxal, de inibição transmarginal, podem reconhecer-se, como dissemos, em graus diversos, em outras correntes doutrinárias. Porém Pavlov os articula em sistema essencialmente dinâmico; e os entrosa de modo a ligar estreitamente a psicologia e a fisiologia — de forma que "se realiza o método natural e inevitável de pesquisa e se fundem finalmente a psicologia e a fisiologia, o subjetivo e o objetivo — a verdadeira questão que há tanto tempo inquietava o pensamento humano." 67
Esses vários dinamismos funcionais se estabelecem hierarquicamente tanto em relação à espécie como no decorrer da evolução individual. Neste sentido evolutivo, diz Frolov, "a primeira dessas formações é o sistema dos centros ou gânglios subcorticais, os mais próximos, adjacentes ao córtex cerebral. Esta é a região dos reflexos ou instintos incondicionais que em terminologia psicológica se denomina também região das emoções e dos desejos".38  "Sobre este sistema e baseado nele se acha o segundo, constituído pelos centros de reflexos temporários ou condicionados. Como ressalta de tudo quanto dissemos antes, este sistema — representado pelos sistemas neuronais da substância cinzenta dos hemisférios cerebrais — tem a vantagem  de assegurar uma orientação consideravelmente mais ampla do organismo e de ligar-lhe a atividade — através dos sentidos ou órgãos receptores — com todos os fenômenos do mundo exterior".38  "Nos animais, esta região superior do córtex representa uma projeção imediata do mundo exterior e é um conjunto de analisadores. No caso do cérebro humano, não obstante, durante o processo de desenvolvimento e durante a aquisição da linguagem e a conquista do trabalho instrumental, aparece outra estrutura fisiológica, quer dizer — um órgão que se  forma com base no supramencionado sistema, que sintetiza e generaliza a atividade das projeções imediatas e que serve de substrato material para nova  capacidade, de origem mais recente: a capacidade de abstração".38  Para Pavlov, desejamos acrescentar aqui, a sede deste terceiro sistema se encontra na região frontal do córtex.
Porém o imortal pesquisador foi além, nesta concepção dos sistemas de contato com a realidade exterior. Focaliza de modo extraordinariamente preciso problemas psicológicos que só  encontramos tratados com essa profundidade na escola positivista. Referimo-nos à função da linguagem como fator de abstração e à instituição da palavra articulada e do sinal como recurso e como conseqüência deste dinamismo psicológico. "O mundo animal em evolução — dizia em 1935 — adquiriu ao atingir a fase do homem um suplemento excepcional ao mecanismo da atividade nervosa. Para o animal, a realidade é assinalada quase exclusivamente pelos meros estímulos — e os traços que estes deixam nos hemisférios cerebrais — carreados diretamente para as células especiais dos receptores do organismo, visual, auditivo e outros. É isso o que igualmente possuímos sob a forma de impressões, sensações e concepções a respeito do ambiente, seja o natural e o genérico, seja o social, com exceção das palavras — audíveis e visíveis. Esse primeiro sistema de assinalagem da realidade é o mesmo no nosso caso e no caso dos animais. Mas a palavra constituiu um segundo sistema de assinalagem da realidade, o qual é peculiar a nós somente, erigindo-se em sinal dos sistemas primários."67  E acrescenta: "Contudo, é fora de dúvida que as leis essenciais que regem o desempenho do primeiro sistema de sinais necessariamente regulam também o segundo, porque se trata de trabalho efetuado pelo mesmo tecido nervoso." E em outra conferência, ainda com relação à linguagem: "Finalmente aconteceu que mediante estes novos sinais era designado tudo quanto o ser humano percebia no ambiente e no seu mundo interno; e semelhantes sinais começaram a servir-lhe não apenas para comunicar-se com outrem mas também quando estava a sós.67  E acentua a preponderância da primeira ordem de sinais, ou seja — de imagens, nos artistas; ao passo que nos pensadores é a segunda categoria de sinais, os derivados das imagens através da linguagem, que prevalece. Igualmente analisa a diversa participação de cada um desses sistemas na estrutura psicológica de grupos étnicos distintos.
Por outro lado, a correlação temporal entre aparecimento da linguagem e maturação funcional do córtex frontal, seja em sentido filogenético, seja na evolução do ser humano, permite adequadamente a Pavlov reconhecer a participação da palavra no processo mental de abstração.




Bibliografia
8. Audiffrent, G. – Du cerveau et de l’innervation – Dunod, Paris; 1869
9. Audiffrent, G. – Des maladies du cerveau – Leroux. Paris, 1874.
17. Boll, M. & Baud, F. – La personnalité. Masson. Paris, 1958.
38. Frolov, Y. P. – La actividad cerebral: estado de la teoria de Pavlov (prólogo y trad. E. Mira y Lopes) a) Lautaro: Buenos Aires, 1942. b) Psique: Buenos Aires, 1961.
66. Pavlov, I. P. – Lectures on conditioned reflexes (transl. W. H. Gannt). Internat Publishers. New York, 1928.
67. Pavlov, I. P. – Conditioned reflexes and psychiatry (transl. W. H. Gannt). Internat Publishers. New York, 1941.
69. Ribot, Th. – Les maladies de la personnalité – Alcan. Paris a) 1885; b) 4ª éd., 1890.
70. Ribot, Th. – La psychologie allemande contemporaine. 4ª ed. Alcan. Paris, 1892.

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