quinta-feira, 21 de maio de 2015
sábado, 29 de novembro de 2014
PSICANALISTA-CBO nº 2515-50
PSICANALISTA
CBO nº 2515-50
CBO – Classificação Brasileira de Ocupações
2515-50 - Psicanalista
Analista (psicanálise)
Por meio desta publicação o Ministério do Trabalho e Emprego – MTE disponibiliza à sociedade a nova Classificação Brasileira de Ocupações – CBO, que vem substituir a anterior, publicada em 1994.
CBO nº 2515-50
CBO – Classificação Brasileira de Ocupações
2515-50 - Psicanalista
Analista (psicanálise)
Por meio desta publicação o Ministério do Trabalho e Emprego – MTE disponibiliza à sociedade a nova Classificação Brasileira de Ocupações – CBO, que vem substituir a anterior, publicada em 1994.
Desde a sua primeira edição, em 1982, a CBO sofreu
alterações pontuais, sem modificações estruturais e metodológicas. A edição
2002 utiliza uma nova metodologia de classificação e faz a revisão e atualizações
completas de seu conteúdo.
A CBO é o documento que reconhece, nomeia e
codifica os títulos e descreve as características das ocupações do mercado de
trabalho brasileiro. Sua atualização e modernização se devem às profundas
mudanças ocorridas no cenário cultural, econômico e social do País nos últimos
anos, implicando alterações estruturais no mercado de trabalho.
A nova versão contém as ocupações do mercado
brasileiro, organizadas e descritas por famílias. Cada família constitui um
conjunto de ocupações similares correspondente a um domínio de trabalho mais
amplo que aquele da ocupação.
O banco de dados do novo documento está à
disposição da população também em CD e para consulta pela Internet.
Uma das grandes novidades deste documento é o
método utilizado no processo de descrição, que pressupõe o desenvolvimento do
trabalho por meio de comitês de profissionais que atuam nas famílias,
partindo-se da premissa de que a melhor descrição é aquela feita por quem exerce
efetivamente cada ocupação.
Estiveram envolvidos no processo pesquisadores da
Unicamp, UFMG e Fipe/USP e profissionais do Serviço Nacional de Aprendizagem
Industrial – SENAI. Trata-se de um trabalho desenvolvido nacionalmente, que
mobilizou milhares de pessoas em vários pontos de todo o País.
A nova CBO tem uma dimensão estratégica importante,
na medida em que, com a padronização de códigos e descrições, poderá ser
utilizada pelos mais diversos atores sociais do mercado de trabalho. Terá
relevância também para a integração das políticas públicas do Ministério do
Trabalho e Emprego, sobretudo no que concerne aos programas de qualificação
profissional e intermediação da mão de obra, bem como no controle de sua
implementação.
2515-50 – Psicanalista – Analista (psicanálise)
Descrição sumária
Estudam, pesquisam e avaliam o desenvolvimento
emocional e os processos mentais e sociais de indivíduos, grupos e instituições,
com a finalidade de análise, tratamento, orientação e educação; diagnosticam e
avaliam distúrbios emocionais e mentais e de adaptação social, elucidando
conflitos e questões e acompanhando o(s) paciente(s) durante o processo de
tratamento ou cura; investigam os fatores inconscientes do comportamento
individual e grupal, tornando-os conscientes; desenvolvem pesquisas
experimentais, teóricas e clínicas e coordenam equipes e atividades de área e
afins.
Condições gerais de exercício
Os profissionais dessa família ocupacional atuam,
principalmente, em atividades ligadas à saúde, serviços sociais e pessoais e
educação. Podem trabalhar como autônomos e/ou com carteira assinada,
individualmente ou em equipes. É comum os psicólogos clínicos, hospitalares, sociais
e neuropsicólogos trabalharem com supervisão. Têm como local de trabalho
ambientes fechados ou, no caso dos neuropsicólogos e psicólogos jurídicos, pode
ser a céu aberto. Os psicólogos clínicos, sociais e os psicanalistas,
eventualmente, trabalham em horários irregulares. Alguns deles trabalham sob
pressão, em posições desconfortáveis durante longos períodos, confinados
(psicólogos clínicos e sociais) e expostos à radiação (neuropsicólogos) e
ruídos intensos. A ocupação psicanalista não é uma especialização, é uma
formação, que segue princípios, processos e procedimentos definidos pelas
instituições reconhecidas internacionalmente, podendo o psicanalista ter
diferentes formações, como: psicólogo, psiquiatra, médico, filósofo etc.
Formação e experiência.
Para os trabalhadores dessa família são exigido o
nível superior completo e experiência profissional que varia segundo a
formação. Para os psicólogos, de um modo geral, pede-se de um a quatro anos,
como é o caso do psicólogo clínico.
Para o psicanalista é necessário, no mínimo, cinco
anos de experiência. Os cursos de qualificação também variam de cursos básicos
de duzentas a quatrocentas horas-aula, como no caso do psicólogo hospitalar,
mais de quatrocentas horas-aula para os psicólogos jurídicos, psicanalistas e
neuropsicólogos, até cursos de especialização para os psicólogos clínicos e
sociais. A formação desses profissionais é um conjunto de atividades
desenvolvidas por eles, mas os procedimentos são diferentes quanto a aspectos
formais relacionados às instituições que os formam.
Áreas de Atividades
A – AVALIAR COMPORTAMENTOS INDIVIDUAL,
GRUPAL E INSTITUCIONAL.
1. Triar casos;
2. Entrevistar pessoas;
3. Levantar dados pertinentes;
4. Ler processos e prontuários;
5. Observar pessoas e situações;
6. Escutar pessoas ativamente;
7. Investigar pessoas, situações e problemas;
8. Escolher o instrumento de avaliação;
9. Aplicar instrumentos de avaliação;
10. Mensurar resultados de instrumentos de
avaliação;
11. Analisar resultados de instrumentos de
avaliação;
12. Sistematizar informações;
13. Elaborar diagnósticos;
14. Elaborar pareceres, laudos e perícias;
15. Responder a quesitos técnicos judiciais;
16. Selecionar recursos humanos
17. Devolver resultados (devolutiva);
18. Recrutar recursos humanos para instituições.
B – ANALISAR – TRATAR INDIVÍDUOS, GRUPOS E INSTITUIÇÕES.
1. Propiciar espaço para acolhimento de vivências
emocionais (Setting);
2. Oferecer suporte emocional;
3. Tornar consciente o inconsciente;
4. Propiciar
criação de vínculo paciente-terapeuta;
5. Interpretar conflitos e questões;
6. Elucidar conflitos e questões;
7. Promover
integração psíquica;
8. Promover
desenvolvimento das relações interpessoais;
9. Promover
desenvolvimento da percepção interna (Insight);
10. Realizar trabalhos de estimulação psicomotora,
psicológica e neuropsicológica;
11. Mediar grupos, família e instituições para
solução de conflitos;
12. Reabilitar aspectos cognitivos;
13. Reabilitar aspectos psicomotores;
14. Reabilitar aspectos comportamentais;
15. Reabilitar aspectos corporais;
16. Facilitar grupos;
17. Dar alta.
C –
ORIENTAR INDIVÍDUOS, GRUPOS E INSTITUIÇÕES.
1. Propor alternativas de solução de problemas;
2. Esclarecer as repercussões psicológicas decorrentes dos procedimentos médico-hospitalares;
3. Informar sobre desenvolvimento do psiquismo humano;
4. Dar orientação para mudança de comportamento;
5. Aconselhar pessoas, grupos e famílias;
6. Orientar sobre vocações (Orientação vocacional);
7. Orientar grupos profissionais;
8. Orientar sobre plano de carreira;
9. Orientar grupos específicos (Pais, adolescentes etc.);
10. Orientar sobre programas de saúde pública;
11. Orientar as implementações de programas de prevenção na saúde pública;
12. Assessorar instituições
13. Propor intervenções (Encaminhamento);
1. Propor alternativas de solução de problemas;
2. Esclarecer as repercussões psicológicas decorrentes dos procedimentos médico-hospitalares;
3. Informar sobre desenvolvimento do psiquismo humano;
4. Dar orientação para mudança de comportamento;
5. Aconselhar pessoas, grupos e famílias;
6. Orientar sobre vocações (Orientação vocacional);
7. Orientar grupos profissionais;
8. Orientar sobre plano de carreira;
9. Orientar grupos específicos (Pais, adolescentes etc.);
10. Orientar sobre programas de saúde pública;
11. Orientar as implementações de programas de prevenção na saúde pública;
12. Assessorar instituições
13. Propor intervenções (Encaminhamento);
D – ACOMPANHAR INDIVÍDUOS, GRUPOS E INSTITUIÇÕES.
1. Acompanhar impactos de intervenções;
2. Acompanhar o desenvolvimento e a evolução de intervenções;
3. Acompanhar a evolução do caso;
4. Acompanhar o desenvolvimento de profissionais em formação e especialização;
5. Acompanhar resultados de projetos;
6. Visitar instituições e equipamentos sociais;
7. Visitar domicílios;
8. Acompanhar visitas multidisciplinares;
9. Participar de audiências;
10. Acompanhar plantões técnicos;
11. Acompanhar plantões de visita do tribunal de justiça;
12. Acompanhar egressos de tratamento.
1. Acompanhar impactos de intervenções;
2. Acompanhar o desenvolvimento e a evolução de intervenções;
3. Acompanhar a evolução do caso;
4. Acompanhar o desenvolvimento de profissionais em formação e especialização;
5. Acompanhar resultados de projetos;
6. Visitar instituições e equipamentos sociais;
7. Visitar domicílios;
8. Acompanhar visitas multidisciplinares;
9. Participar de audiências;
10. Acompanhar plantões técnicos;
11. Acompanhar plantões de visita do tribunal de justiça;
12. Acompanhar egressos de tratamento.
E – EDUCAR INDIVÍDUOS, GRUPOS E INSTITUIÇÕES.
1. Estudar casos em grupo;
2. Apresentar estudos de caso;
3. Ministrar aulas;
4. Supervisionar profissionais da área e áreas afins;
5. Supervisionar estágios da área e áreas afins;
6. Realizar trabalhos para desenvolvimento de competências e habilidades profissionais;
7. Formar psicanalistas;
8. Formar especialistas da área;
9. Treinar profissionais da área e afins;
10. Desenvolver cursos para grupos específicos;
11. Confeccionar manuais educativos;
12. Reeducar pessoas para inserção social e familiar;
13. Desenvolver processos de recrutamento e seleção;
14. Desenvolver cursos para profissionais de outras áreas;
15. Propiciar recursos para o desenvolvimento de aspectos cognitivos;
16. Desenvolver projetos educativos;
17. Acompanhar resultados de cursos, treinamentos.
1. Estudar casos em grupo;
2. Apresentar estudos de caso;
3. Ministrar aulas;
4. Supervisionar profissionais da área e áreas afins;
5. Supervisionar estágios da área e áreas afins;
6. Realizar trabalhos para desenvolvimento de competências e habilidades profissionais;
7. Formar psicanalistas;
8. Formar especialistas da área;
9. Treinar profissionais da área e afins;
10. Desenvolver cursos para grupos específicos;
11. Confeccionar manuais educativos;
12. Reeducar pessoas para inserção social e familiar;
13. Desenvolver processos de recrutamento e seleção;
14. Desenvolver cursos para profissionais de outras áreas;
15. Propiciar recursos para o desenvolvimento de aspectos cognitivos;
16. Desenvolver projetos educativos;
17. Acompanhar resultados de cursos, treinamentos.
F – DESENVOLVER PESQUISAS EXPERIMENTAIS, TEÓRICAS E CLÍNICAS.
1. Investigar o psiquismo humano;
2. Investigar o comportamento individual, grupal e institucional;
3. Investigar comportamento animal;
4. Definir problema e objetivos;
5. Pesquisar bibliografia;
6. Definir metodologias de ação;
7. Estabelecer parâmetros de pesquisa;
8. Construir instrumentos de pesquisa;
9. Padronizar testes;
10. Coletar dados;
11. Organizar dados;
12. Compilar dados;
13. Fazer leitura de dados;
14. Integrar grupos de estudos de caso.
1. Investigar o psiquismo humano;
2. Investigar o comportamento individual, grupal e institucional;
3. Investigar comportamento animal;
4. Definir problema e objetivos;
5. Pesquisar bibliografia;
6. Definir metodologias de ação;
7. Estabelecer parâmetros de pesquisa;
8. Construir instrumentos de pesquisa;
9. Padronizar testes;
10. Coletar dados;
11. Organizar dados;
12. Compilar dados;
13. Fazer leitura de dados;
14. Integrar grupos de estudos de caso.
G – COORDENAR EQUIPES E ATIVIDADES DE ÁREA E AFINS
1. Planejar as atividades da equipe;
2. Programar atividades gerais;
3. Programar atividades da equipe;
4. Distribuir tarefas à equipe;
5. Trabalhar a dinâmica da equipe;
6. Monitorar atividades de equipes;
7. Preparar reuniões;
8. Coordenar reuniões;
9. Coordenar grupos de estudo;
10. Organizar eventos;
11. Identificar recursos da comunidade;
12. Avaliar propostas e projetos;
13. Avaliar a execução das ações.
H – PARTICIPAR DE ATIVIDADES PARA CONSENSO E DIVULGAÇÃO PROFISSIONAL
1. Participar de palestras, debates, entrevistas, seminários, simpósios;
2. Participar de reuniões científicas (Congressos, etc);
3. Publicar artigos, ensaios, livros científicos;
4. Participar de comissões técnicas;
5. Participar de conselhos municipais, estaduais e federais;
6. Participar de entidades de classe;
7. Participar de eventos junto aos meios de comunicação;
8. Divulgar práticas do psicólogo e psicanalista;
9. Fornecer subsídios a estratégias e políticas organizacionais;
10. Fornecer subsídios à formulação de políticas públicas;
11. Fornecer subsídios à elaboração de legislação;
12. Buscar parcerias.
I – REALIZAR TAREFAS ADMINISTRATIVAS
1. Redigir pareceres;
2. Redigir relatórios;
3. Agendar atendimentos;
4. Convocar pessoas;
5. Receber pessoas;
6. Organizar prontuários;
7. Preencher formulários e cadastro;
8. Consultar cadastros;
9. Criar cadastros;
10. Redigir ofícios, memorandos, despachos;
11. Redigir projetos para captação de recursos;
12. Criar instrumentos de controle administrativo;
13. Compor reuniões administrativas e técnicas;
14. Fazer levantamentos estatísticos;
15. Comprar material técnico;
16. Prestar contas.
Competências pessoais
1. Manter sigilo;
2. Cultivar a ética;
3. Demonstrar ciência sobre código de ética profissional;
4. Demonstrar ciência sobre legislação pertinente;
5. Trabalhar em equipe;
6. Manter imparcialidade e neutralidade;
7. Demonstrar bom senso;
8. Respeitar os limites de atuação;
9. Ser psico-analisado;
10. Ser psico-terapeutizado;
11. Demonstrar continência (Acolhedor);
12. Demonstrar interesse pela pessoa/ser humano;
13. Ouvir ativamente (saber ouvir);
14. Manter-se atualizado;
15. Contornar situações adversas;
16. Respeitar valores e crenças dos clientes;
17. Demonstrar capacidade de observação;
18. Demonstrar habilidade de questionar;
19. Amar a verdade.
Recursos de trabalho
* Caixa lúdica
* Testes
* Computador
* Questionários
* Inventários
* Material gráfico
* Escolas
* Softwares específicos
* Divã
* Material lúdico
(*) Ferramentas mais importantes
1. Planejar as atividades da equipe;
2. Programar atividades gerais;
3. Programar atividades da equipe;
4. Distribuir tarefas à equipe;
5. Trabalhar a dinâmica da equipe;
6. Monitorar atividades de equipes;
7. Preparar reuniões;
8. Coordenar reuniões;
9. Coordenar grupos de estudo;
10. Organizar eventos;
11. Identificar recursos da comunidade;
12. Avaliar propostas e projetos;
13. Avaliar a execução das ações.
H – PARTICIPAR DE ATIVIDADES PARA CONSENSO E DIVULGAÇÃO PROFISSIONAL
1. Participar de palestras, debates, entrevistas, seminários, simpósios;
2. Participar de reuniões científicas (Congressos, etc);
3. Publicar artigos, ensaios, livros científicos;
4. Participar de comissões técnicas;
5. Participar de conselhos municipais, estaduais e federais;
6. Participar de entidades de classe;
7. Participar de eventos junto aos meios de comunicação;
8. Divulgar práticas do psicólogo e psicanalista;
9. Fornecer subsídios a estratégias e políticas organizacionais;
10. Fornecer subsídios à formulação de políticas públicas;
11. Fornecer subsídios à elaboração de legislação;
12. Buscar parcerias.
I – REALIZAR TAREFAS ADMINISTRATIVAS
1. Redigir pareceres;
2. Redigir relatórios;
3. Agendar atendimentos;
4. Convocar pessoas;
5. Receber pessoas;
6. Organizar prontuários;
7. Preencher formulários e cadastro;
8. Consultar cadastros;
9. Criar cadastros;
10. Redigir ofícios, memorandos, despachos;
11. Redigir projetos para captação de recursos;
12. Criar instrumentos de controle administrativo;
13. Compor reuniões administrativas e técnicas;
14. Fazer levantamentos estatísticos;
15. Comprar material técnico;
16. Prestar contas.
Competências pessoais
1. Manter sigilo;
2. Cultivar a ética;
3. Demonstrar ciência sobre código de ética profissional;
4. Demonstrar ciência sobre legislação pertinente;
5. Trabalhar em equipe;
6. Manter imparcialidade e neutralidade;
7. Demonstrar bom senso;
8. Respeitar os limites de atuação;
9. Ser psico-analisado;
10. Ser psico-terapeutizado;
11. Demonstrar continência (Acolhedor);
12. Demonstrar interesse pela pessoa/ser humano;
13. Ouvir ativamente (saber ouvir);
14. Manter-se atualizado;
15. Contornar situações adversas;
16. Respeitar valores e crenças dos clientes;
17. Demonstrar capacidade de observação;
18. Demonstrar habilidade de questionar;
19. Amar a verdade.
Recursos de trabalho
* Caixa lúdica
* Testes
* Computador
* Questionários
* Inventários
* Material gráfico
* Escolas
* Softwares específicos
* Divã
* Material lúdico
(*) Ferramentas mais importantes
quarta-feira, 16 de julho de 2014
A adolescência e as Drogas
A adolescência e as Drogas
“O próprio Freud estabeleceu uma teoria da adolescência
sempre falou do infantil, da sexualidade infantil, do adolescente e do adulto.
Fala da fantasia, em seu texto fundamental, a frase fantasmática onde tudo se
em uma criança”.
Esse trabalho opera a separação de dois significantes:
adolescente / drogas.
A inconveniência desta associação não só apenas decorre do fato estar em um momento da vida definido segundo os critérios da biologia, o que faria um individuo fazer uso de drogas.
A inconveniência desta associação não só apenas decorre do fato estar em um momento da vida definido segundo os critérios da biologia, o que faria um individuo fazer uso de drogas.
O uso não é um privilégio na fase da
adolescência, uma vez que muitas crianças fazem uso de entorpecentes, como
muitos adultos fazem, como se o uso das drogas fossem um antidepressivos e
ansiolíticos , práticando as ações, as quais poderíamos chamar de toxicomania
receitada.
Se não é um determinado período da
vida que propicia o uso de drogas, o que é?
Para aqueles que têm o gosto de ler Freud certamente não é estranha a seguinte formulação: “
O uso de drogas não é determinado por uma substância química qualquer, mas por uma predisposição da qual é portador o paciente, tanto assim que não existem cocainômanos que não tenham sido heroinômanos.”
Para aqueles que têm o gosto de ler Freud certamente não é estranha a seguinte formulação: “
O uso de drogas não é determinado por uma substância química qualquer, mas por uma predisposição da qual é portador o paciente, tanto assim que não existem cocainômanos que não tenham sido heroinômanos.”
O que quer dizer Freud com
“predisposição”?
A meu ver o uso de drogas é
diretamente proporcional ao declínio, do que em psicanálise chamamos, da
“função paterna”. Quando falamos em função paterna, conceituação que devemos a
Jacques Lacan, estamos nos referindo a uma operação lógica e não a uma pessoa,
sendo a mãe, a transmissora desta função. Quer dizer, que depende de como a mãe
se relacione com a lei, de como ela tenha recebido a lei que lhe foi
transmitida, para poder, ou transmiti-la, ou falsear com ela. Costumo dizer que
o sujeito que faz uso de drogas, mostra de forma muito clara que o pai e a mãe
traficam o pai enquanto função. Que no triângulo mãe, criança, pai, a lei é
banalizada a ponto de todos tornarem-se comparsas.
A rota do tráfico do pai começa desde
que, ao vir ao mundo, no lugar de ofertar o Dom de sua presença, a mãe lhe
oferece objetos da realidade , empanturrando-o, para suturar uma divisão que
lhe é intolerável.
O pai recusando-se a interdição
torna-se o reprodutor das ações da mãe, numa infinitização de gozo bem ao
estilo da pulsão de morte. Trata-se, portanto do tráfico de uma função que tem
como consequência a sua desoperacionalização. Podemos então dizer que o império
da droga é o reflexo de uma mudança nas “condições do edipianismo”.
Em seu artigo: Introdução Teórica as
Funções da Psicanálise em Criminologia, pág. 135, Lacan faz a seguinte
pontuação: “A autoridade reservada ao pai, único traço subsistente de sua
estrutura original, mostra-se, de fato, cada vez mais instável ou obsoleta, e
as incidências psicopatológicas dessa situação devem ser referidas tanto à
escassez das relações grupais que ela assegura ao indivíduo quanto a
ambivalência cada vez maior de sua estrutura.”
Jones, E – A vida e Obra de Sigmund
Freud, O episódio da cocaína, cap. 6.
Lacan, J – Introdução Teórica as
Funções da Psicanálise de Criminologia, p. 135.
Ao me deparar nesta formulação com as
expressões: “escassez das relações grupais” e “a ambivalência cada vez maior de
sua estrutura”. Não pude deixar de recorrer a um texto pouco citado de Freud, A
Psicologia do Escolar e ali encontrar exatamente, no cerne do referido texto
que, a questão do dito sujeito adolescente, é uma questão que se refere ao
destino do pai enquanto representante da figura imaginária da autoridade, que
ao cair como Outro absoluto, produz uma crise . Há, portanto, neste momento,
uma crise do pai.
Então, o que se operou na civilização
para que se tenha tornado obsoleta ou instável a autoridade do pai ? e, que pai
temos hoje?
Sabemos que em decorrência de fatores
políticos, sociais e econômicos, alteraram-se as condições de troca, de
mercado, as quais se refletem direta ou indiretamente nas relações grupais a
que de modo geral chamamos “Cidade” e neste primeiro e restrito grupo a que
denominamos “Família”.
“O em-comum da cidade teria que ser um
espaço onde os cidadãos se cruzam, sem outro critério de unificação a não ser a
exterioridade de suas relações”. Isto faz um cidadão que de início é um,
qualquer um. Se o grupo familiar gera um cidadão, do par pai e mãe, tomados
ambos como significantes , brota um sujeito, o qual, diferentemente do cidadão
é “singularidade que se afirma por ocasião de um acontecimento a que ele passa
a dever felicidade”.
Observamos, portanto que, o cidadão e
o sujeito não coincidem, mas o que podemos tirar desta não coincidência?
Proporcionar via dispositivo analítico, a passagem do universal ao particular,
ou, sustentar um: a cada um seu real.
A medida que caem os muros da pólis,
em que se foi globalizando o saber que era o que vinha definindo algumas
particularidades culturais, alguns valores, ou se quisermos, hábitos e costumes
dos grupos. À medida que o mestre moderno, não é como o pai que não tem a
resposta para todas as questões, como o mestre que Freud descreve em sua
Psicologia do Escolar. Perpetua-se uma potência imaginária que faz do outro um
Grande Outro consistente, senhor de tudo e de todos.
Trata-se de outro para quem o homem é
uma pobre alma que deve ser protegida e dirigida por um sistema ao qual tudo
deve. Dívida que nada tendo de simbólica deve ser paga com toda a carne, na
doação de órgãos, no comércio das crianças, nas cidades onde o tirano vai
lançar suas bombas precisamente sobre os que não aceitam suas injunções,
mostrando que “manda quem pode e obedece quem tem juízo”.
É preciso correr atrás dos bens de
capital que o senhor estoca para revendê-los quando os escravos modernos já
estiverem dispostos a pagar por eles com a carne que não comem e com os sonhos
que deixaram de sonhar. É preciso entorpecer o desejo.
Que pais têm hoje?
Que pais têm hoje?
O pai da horda primitiva era aquele
que possuía a todas as mulheres e por isso impeliu os filhos a destruí-lo
fundando a exceção, o ao menos um que ao escapar da lei a reforça. A exceção
faz a regra. O pai da horda tecnológica não pode ser morto porque não é
encontravel é desaparecido, podendo gozar de todos os bens de consumo sem qualquer
consequência. Como desaparecer não é o mesmo que morrer o pai da horda
tecnológica é um pai feroz, um pai que não reconhece os limites da lei, um pai incontrastável que não deixa lugar à falta.
Foi porque o pai foi morto pelos
filhos que eles não puderam mais gozar de todas as mulheres, fazendo da culpa
um anteparo frente a angústia. O pai nosso de todos os dias não tem sepultura
porque é imortal, surgindo sempre, não para interditar o gozo, mas para
promover o impuxo ao gozo, razão pela qual o filho que disse ao pai: “Pai não
vês que estou queimando!” diz agora, que o pai está desaparecido: “Pai não vês
que estou gozando!”. Aquele que deveria interditar para com seu ato viabilizar
o desejo, ao condescender com o gozo inviabiliza o desejo.
O pai já não é aquele! Na periferia
das grandes cidades famílias de baixa renda suprem a ausência real do pai, que
convocado pelo moderno senhor, não ganha o suficiente se quer para repousar
todas as noites em sua casa. A mãe, deixada em solidão, faz muitas vezes dos filhos
parceiros de suas angústias, convocando-os a um lugar que lhes esteve desde
sempre interditado, não podendo nomear o pai, senão, como ausente. Deslocados,
ambos de sua função, temos o que a certa época era apenas uma licença poética,
um “sem pai nem mãe.”.
O pai que nomeia só é eficaz na medida
em que ele participa da função. Contemporaneamente, portanto, constatamos que
“o conceito de pai acabou liberado da carga de poder, evidenciada como
caduca.”.
Se o pai contemporâneo está
desaparecido, se ele não pode ser encontrado para exercer o modelo da função
que lhe cabe: interditar o gozo e viabilizar o desejo instaurando a falta, como
comprometer-se numa escolha de objeto sempre faltoso? O desastre que atinge o
pai “enfermidade maior da cultura industrializada”, impede de dar ao filho o
estatuto de filho, o qual não podendo ser reconhecido não reconhece o pai e, ao
não poder levar o nome do pai, desaparece como o pai levando o nome do produto
industrial: toxicômano, alcoolista, depressivo, ansioso.
Bibliografia:
Bentes, L - La Ruta Del Tráfico del Padre, Pharmakon n 3, Publicavión de Grupos e Intituciones de Toxicomanias y Alcoolismo del Campo Freudiano, B. Aires, 1995
Freud, S – Algumas Reflexões sobre a Psicologia d Escolar (1914), vol. XIII Obras Completas, Imago Ed, RJ, 1980.
Bentes, L - La Ruta Del Tráfico del Padre, Pharmakon n 3, Publicavión de Grupos e Intituciones de Toxicomanias y Alcoolismo del Campo Freudiano, B. Aires, 1995
Freud, S – Algumas Reflexões sobre a Psicologia d Escolar (1914), vol. XIII Obras Completas, Imago Ed, RJ, 1980.
Jones, E – Vida e Obra de Sigmund
Freud, Zahar Ed, RJ, Lacan, J – Introdução Teórica as
Funções da Psicanálise em Criminologia, Escritos, Zahar Ed, RJ, 1998
ANOREXIA E A ESTRUTURA NEURÓTICA
ANOREXIA E A ESTRUTURA NEURÓTICA
FRANCISCO CARLOS SILVA RAMOS
PSICANALISTA
PSICANALISTA
UMA EXPLORAÇÃO ÁS ESTRUTURAS
Esse artigo tem o objetivo de explorar a relação do sintoma da anorexia, que se apresenta na estrutura neurótica, com o desejo. Para tanto, retomamos o conceito de desejo em Freud e a articulação que Lacan estabelece entre a necessidade, a demanda e o desejo. A anorexia como expressão de um comer nada está em foco. Nada como falta, como expressão desejante de um sujeito que pede que o Outro olhe em outra direção que não ele, ou seja, que ele dirija seu olhar para além dele.
Com as descobertas da psicanálise, surge uma nova concepção
de homem a partir dos ensinamentos de Freud. Habitado por um novo saber do qual
ele tem notícias a partir dos sonhos, atos falhos, chistes e sintoma, o homem
não possui mais a primazia da consciência, surgindo uma nova instância psíquica
que determina de forma peculiar seus atos e pensamentos: o inconsciente.
Dando voz às histéricas, Freud vai tomando contato com as
leis que regem o inconsciente, com as características deste, e com a presença
de um sofrimento naquele que fala. O sintoma passa a ter um estatuto diferente
do vigente no saber médico, onde aparece como um sinal de que algo no corpo não
está funcionando conforme o esperado organicamente, requerendo, assim,
medicação e eliminação imediata. O sintoma freudiano tem valor de enigma, sendo
uma formação do inconsciente que expressa uma relação de compromisso entre as
exigências pulsionais e o julgamento crítico. É, sobretudo, uma satisfação
pulsional, uma mensagem onde atuam o deslocamento e a condensação das
representações inconscientes.
O sintoma sobre o qual nos debruçamos nesse artigo é a anorexia, que se apresenta na neurose, e, como nos mostra a epígrafe citada acima, é definida por Lacan como o ato de comer nada, e não como o ato de não comer, como muitos poderiam pensar.
A anorexia foi primeiramente definida por Naudeau, em 1789, como “uma doença nervosa acompanhada de uma repulsa extraordinária pelos alimentos” (apud Bidaud 1998, p.11). Já entre 1868 e 1873, o termo anorexia nervosa aparece nas obras do inglês William Gull “definida como privação – em caráter privado – do apetite” (id). É interessante observarmos que o método utilizado como tratamento nesses casos era o isolamento terapêutico. A paciente era retirada de casa e internada em um quarto onde permanecia sozinha, só tendo contato com o médico. Por que era justamente a separação da paciente de seu meio o tratamento mais indicado? Eis uma questão que nos intrigou desde o início dessa pesquisa: aquela da relação entre a anorexia e a separação.
O sintoma sobre o qual nos debruçamos nesse artigo é a anorexia, que se apresenta na neurose, e, como nos mostra a epígrafe citada acima, é definida por Lacan como o ato de comer nada, e não como o ato de não comer, como muitos poderiam pensar.
A anorexia foi primeiramente definida por Naudeau, em 1789, como “uma doença nervosa acompanhada de uma repulsa extraordinária pelos alimentos” (apud Bidaud 1998, p.11). Já entre 1868 e 1873, o termo anorexia nervosa aparece nas obras do inglês William Gull “definida como privação – em caráter privado – do apetite” (id). É interessante observarmos que o método utilizado como tratamento nesses casos era o isolamento terapêutico. A paciente era retirada de casa e internada em um quarto onde permanecia sozinha, só tendo contato com o médico. Por que era justamente a separação da paciente de seu meio o tratamento mais indicado? Eis uma questão que nos intrigou desde o início dessa pesquisa: aquela da relação entre a anorexia e a separação.
A anorexia mata 15% dos jovens acometidos por essa
sintomatologia, sendo a doença compulsiva que mais mata no mundo (Fux, 2002). A
compulsão aí presente é emagrecer a qualquer custo, e, muitas vezes, ela parece
não se constituir como uma mensagem endereçada ao Outro, possuindo a mudez
própria da pulsão de morte. Apostamos, porém, que desse sofrimento pode surgir
uma demanda endereçada ao analista, movimento que se faz necessário para a
realização do tratamento analítico. E a questão que colocamos é, então: como
dar voz a ela.
O interesse por esse tema surgiu a partir do atendimento
clínico de uma paciente anoréxica (18 a) que chega ao consultório trazida pela
mãe e encaminhada pelo médico o qual dizia “não saber mais o que fazer com o
caso”, visto que a paciente se encontrava em um estado “deplorável” e, mesmo
assim, se recusava a comer. Ele nada podia fazer diante dessa recusa. Foram
poucas sessões, mas houve tempo suficiente para que essa fala nos instigasse a
respeito de várias questões que foram se apresentando.
A anorexia surgiu concomitantemente ao início da vida sexual
da paciente e ao despertar dos conflitos com a mãe que não aprovava seu namoro.
A relação com o corpo, o incômodo que a paciente sentia diante do olhar da mãe
e o modo como a comida se fazia presente em suas relações são destaques de suas
associações, as quais, a partir da análise, se faziam ouvir, gerando alguns
questionamentos.
A paciente reconheceu que no dispositivo analítico algo novo,
diferente da escuta médica, com a qual encontrava-se acostumada, estava sendo
possibilitado pela fala. O que seria? Talvez a possibilidade da paciente se
intrigar com seu mal comum. Do que ele diz? Para quem?
A relação entre o sujeito e o nada na anorexia se faz
presente nesse artigo a partir do discurso dessa paciente. Frases como “não
tenho vontade de nada”, “preciso comer nada”, “nada me agrada”, dentre outras,
chamaram nossa atenção, gerando um interesse em saber que nada é esse que
aparecia de forma tão freqüente nesse discurso.
O que nos intrigou foram as diferentes possibilidades de o
sujeito se relacionar com o nada, de se colocar diante do nada, de positivá-lo,
ou seja, fazer dele um objeto. O nada ganha forma de objeto e, investido como
tal, passa a ter um lugar prioritário na economia libidinal do sujeito.
Sabemos que através do discurso social, a palavra anorexia
fornece ao sujeito a possibilidade de que ele se identifique com o significante
“sou anoréxica”, mascarando a relação particular que ele possui com seu
sintoma. É buscando essa singularidade que iremos aprofundar a relação da
anoréxica com o nada, com o desejo. Apesar de não nos debruçarmos sobre a
relação entre a anorexia e o gozo, visto a necessidade de realizarmos um
trabalho sucinto, sinalizamos para sua existência.
Em busca de um primeiro contato com o tema da anorexia,
realizamos uma pesquisa bibliográfica onde foi encontrada uma grande
diversidade de artigos e livros publicados. Tal diversidade está relacionada,
sobretudo, com o modo como a anorexia é abordada, o lugar teórico a partir do
qual ela é vista.
Dentre os mais freqüentes, destacamos o viés social, onde a
anorexia é tida como o resultado de uma cultura que só valoriza o corpo magro,
dando a este o título de um ideal feminino. Sendo assim, a pressão da mídia, a
busca de aceitação na relação social e a identificação a um modelo feminino são
temas trabalhados nessa vertente.
Não negamos os efeitos que o ideal de um corpo magro possa
ter sobre o sujeito de uma forma geral, mas pensamos ser mais interessante nos
perguntarmos por que alguns sujeitos desenvolvem a anorexia e outros não, se
todos estão, de alguma forma, sob o efeito dessas mensagens. Ou seja,
preferimos nos indagar sobre o que há de peculiar na relação do sujeito com seu
sintoma anoréxico. Nesse sentido, não nos detemos nesse viés social.
A relação entre a anorexia e o nada foi também pinçada das afirmações lacanianas. Dentre estas, citamos, mais uma vez, aquela que figura no Seminário 4 (1956/57) onde afirma que “a anorexia mental não é um não comer, mas um comer nada”(Lacan, 1956/57, p.188, grifo do autor).
A relação entre a anorexia e o nada foi também pinçada das afirmações lacanianas. Dentre estas, citamos, mais uma vez, aquela que figura no Seminário 4 (1956/57) onde afirma que “a anorexia mental não é um não comer, mas um comer nada”(Lacan, 1956/57, p.188, grifo do autor).
Seguindo essa articulação inicial, onde mostramos os
diferentes lugares de onde a anorexia pode ser estudada, não nos restringimos
aos artigos médicos que trazem a anorexia como um distúrbio alimentar, um
sintoma orgânico no qual o sujeito não estaria implicado, e cujo tratamento na
maioria dos casos é a obrigatoriedade de comer juntamente com uma ação
medicamentosa (a mesma utilizada em casos de depressão), exigência que, se não
efetuada pelo paciente, pode indicar a possibilidade de internação. Aqui, é o
corpo físico que está em jogo e não o corpo sexuado da psicanálise. O sintoma
deve ser eliminado rapidamente, não possuindo valor de mensagem, ou seja, o
paciente não é convocado a falar do que sofre, mas, pelo contrário, sua boca
deve se manter cheia, sendo esta a prescrição médica.
Para entendermos o estatuto da anorexia a partir de um viés psicanalítico temos que tocar em um ponto fundamental: o desejo.
Para entendermos o estatuto da anorexia a partir de um viés psicanalítico temos que tocar em um ponto fundamental: o desejo.
Buscando a origem desse conceito em Freud, a partir da
experiência de satisfação, Lacan toma um sonho relatado em “A Interpretação dos
sonhos” (1900, p.180) como modelo para analisar a estrutura do desejo.
Uma analisando de Freud, que possuía conhecimento de seus
desenvolvimentos teóricos, diz a seu analista que não entende como ele pode
afirmar que o sonho é a realização de um desejo, se, em seu sonho, justamente o
que não se realiza é o seu desejo. Relata, então, a paciente: queria oferecer
uma ceia, mas não tinha nada em casa além de um pequeno salmão defumado.
Pensei em sair e comprar alguma coisa, mas então lembrei-me
que era domingo à tarde e que todas as lojas estariam fechadas. Em seguida,
tentei telefonar para alguns fornecedores, mas o telefone estava com defeito.
Assim, tive que abandonar meu desejo de oferecer uma ceia (Freud, 1900, p.
181).
O desejo que Freud observa nesse sonho é o de ter um desejo
insatisfeito. A partir das associações da paciente, outros elementos aparecem
como o pedido que ela faz ao marido para não lhe trazer caviar, apesar de sua
enorme vontade de comê-lo.
Ou seja, ela pede que ele não a satisfaça. “O desejo da
histérica de ter um desejo insatisfeito é significado por seu desejo de caviar:
o desejo de caviar é seu significante” (Lacan, 1958/1998, p. 627). Além disso,
não havia salmão defumado, prato predileto de uma amiga por quem o marido se
interessava, apesar de sua magreza, e que havia expressado o desejo de ir
jantar na casa da paciente.
Sem o prato principal, não havia como realizar o jantar e
satisfazer o desejo da amiga: manteria a amiga magra para afastá-la de seu
marido. O desejo da paciente seria o caviar? Mas o caviar ela também não quer.
“Seu desejo de caviar é um desejo de mulher satisfeita, e que justamente não
quer estar” (Lacan, 1958/1998, p. 631). Com efeito, Freud afirma que essa
mulher é muito satisfeita pelo marido em suas necessidades (Freud, 1900). É
recusando um alimento que a bela açougueira introduz uma falta em sua posição
de mulher satisfeita. A presentificação dessa falta, dessa recusa, é condição
para que ela continue desejando.
O amor é justamente essa falta dada ao Outro para que ele a preencha. E é isso que está por trás de toda a demanda, mascarado no pedido da satisfação de uma necessidade. Pode ocorrer que o Outro, no lugar disso que ele não tem, que lhe falta, coloque justamente a comida, ou seja, “empanturra-a (a criança) com a papinha sufocante daquilo que ele tem, ou seja, confunde seus cuidados com o dom de seu amor. É a criança alimentada com mais amor que recusa o alimento e usa a sua recusa como desejo (anorexia mental)” (Lacan, 1958, p. 634). Assim, dizendo não à demanda da mãe, a criança pede que ela olhe em outra direção que não ela própria.
O amor é justamente essa falta dada ao Outro para que ele a preencha. E é isso que está por trás de toda a demanda, mascarado no pedido da satisfação de uma necessidade. Pode ocorrer que o Outro, no lugar disso que ele não tem, que lhe falta, coloque justamente a comida, ou seja, “empanturra-a (a criança) com a papinha sufocante daquilo que ele tem, ou seja, confunde seus cuidados com o dom de seu amor. É a criança alimentada com mais amor que recusa o alimento e usa a sua recusa como desejo (anorexia mental)” (Lacan, 1958, p. 634). Assim, dizendo não à demanda da mãe, a criança pede que ela olhe em outra direção que não ela própria.
Sem fazermos a redução do sintoma anoréxico à estrutura
histérica, observamos pontos em comum entre ambas. Se a paciente de Freud pede
ao marido que não traga caviar para se manter insatisfeita, mostrando que o seu
desejo é de manter o desejo insatisfeito, também na anorexia o sujeito não
come, ou melhor, come o nada, mantendo seu desejo insatisfeito. O desejo
presente na anorexia é um desejo de nada, como nos diz Lacan. Recusando o
objeto da necessidade, a anoréxica demanda o amor, ou seja, exige que o objeto
não traga consigo apenas a marca da necessidade, mas que seja signo de amor.
Lacan nos diz que a relação do sujeito com o objeto deve ser
lida freudianamente (Lacan, 1959/60, p.114). Ela emerge em uma relação
narcísica, imaginária, uma vez que o objeto aparece de maneira intercambiável
com o amor que o sujeito tem por sua própria imagem. É nessa relação imaginária
entre o eu e o objeto que o eu se faz de objeto para o Outro. Mas esse objeto
se distingue daquele visado no movimento da pulsão o qual possui a característica
de ser um objeto parcial. Entre o objeto estruturado por uma relação narcísica
e das Ding, que possui uma relação com o objeto da pulsão, há uma diferença, um
hiato, que permitirá surgir o objeto do desejo.
É no “Projeto para uma psicologia científica” (1950 [1985])
que Freud faz um primeiro esboço do que ele denomina desejo, ponto que será
essencial retornar para iniciarmos o estudo lacaniano da articulação entre a
necessidade, a demanda e o desejo. Ao formular uma primeira hipótese de
funcionamento do aparelho psíquico, Freud postula a existência de estímulos
endógenos. Estes são definidos como uma excitação interna que necessita de uma
ação específica que atue sobre ela, já que nenhuma descarga – gritos e
movimentos - pode produzir resultado aliviante.
De acordo com o princípio de constância, qualquer aumento na
excitação é sentido como desprazer, e este desconforto – a fome no exemplo
freudiano – requer para ser aplacado, a interferência de um agente externo. É
necessário, então, uma alteração no mundo externo que, como ação específica, só
pode ser promovida de determinadas maneiras.
Ela se efetua por ajuda alheia, quando a atenção de uma pessoa experiente é voltada para um estado infantil por descarga através da via da alteração interna. Essa via de descarga adquire, assim, a importantíssima função secundária da comunicação, e o desamparo inicial dos seres humanos é a fonte primordial de todos os motivos morais (Freud, 1950 [1895], p.370).
Freud atribuiu a essa experiência o complexo do ser humano próximo – Nebenmensch -, formado pela impressão deixada por essa ajuda alheia recebida. Esse complexo se divide em dois componentes: um deles produz uma impressão por sua “estrutura constante e permanece unido como uma coisa (Ding), enquanto o outro pode ser compreendido pela atividade de memória” (Freud, ibid, p.384), ou seja, pode ser representado.
A partir do complexo do próximo – Nebenmensch -, Freud articulou em um só tempo o que é o ‘à parte’ e a similitude, como signo de separação e identidade. Das Ding é justamente a parte do complexo que é isolada pelo sujeito como estranho – Fremde -, desconhecido. Das Ding como estranho constitui esse primeiro exterior, em torno do qual se orienta todo o encaminhamento do sujeito, sua referência em relação ao mundo do desejo (Lacan, 1959/60, p.69).
Ela se efetua por ajuda alheia, quando a atenção de uma pessoa experiente é voltada para um estado infantil por descarga através da via da alteração interna. Essa via de descarga adquire, assim, a importantíssima função secundária da comunicação, e o desamparo inicial dos seres humanos é a fonte primordial de todos os motivos morais (Freud, 1950 [1895], p.370).
Freud atribuiu a essa experiência o complexo do ser humano próximo – Nebenmensch -, formado pela impressão deixada por essa ajuda alheia recebida. Esse complexo se divide em dois componentes: um deles produz uma impressão por sua “estrutura constante e permanece unido como uma coisa (Ding), enquanto o outro pode ser compreendido pela atividade de memória” (Freud, ibid, p.384), ou seja, pode ser representado.
A partir do complexo do próximo – Nebenmensch -, Freud articulou em um só tempo o que é o ‘à parte’ e a similitude, como signo de separação e identidade. Das Ding é justamente a parte do complexo que é isolada pelo sujeito como estranho – Fremde -, desconhecido. Das Ding como estranho constitui esse primeiro exterior, em torno do qual se orienta todo o encaminhamento do sujeito, sua referência em relação ao mundo do desejo (Lacan, 1959/60, p.69).
Vemos que, se em um segundo momento, ao sentir novamente o
desconforto, o sujeito alucina o objeto que diminuiu essa excitação. É apenas a
ausência dessa satisfação esperada que leva o sujeito ao abandono da tentativa
de alcançá-la por meio da alucinação, tentativa guiada pelo princípio de
prazer.
O aparelho psíquico é, então, levado a considerar as
circunstâncias do mundo externo, e empenha-se para efetuar nele uma alteração
real, surgindo assim um novo princípio de funcionamento mental: o princípio de
realidade.
Ao falar do assujeitamento do sujeito ao desejo do Outro,
Lacan trabalha a estreita relação entre demanda e desejo. A demanda figura como
possibilidade de indicar o aparecimento do desejo a partir de um mais além.
Isso porque “o desejo está obrigado à intermediação da fala” (Lacan, 1957-58,
p.369); é nos espaços entre os significantes que ele faz sua morada. Se, em um
primeiro momento, a criança depende da fala do Outro, do sentido que ele dá ao
seu grito, como demonstra a experiência de satisfação, alienando a estrutura de
seu desejo à estrutura da demanda, em um segundo tempo, reconhece um desejo
para além dessa demanda recebida do Outro.
No nível da demanda, há, entre o sujeito e o Outro, uma
situação de reciprocidade, ou seja, tanto o desejo do sujeito depende
inteiramente de sua demanda ao Outro, como o que a Outra demanda também depende
de um posicionamento do sujeito. O sujeito percebe a importância de atender ou
não a essa demanda feita pelo Outro, o que é ilustrado com a angústia que a
filha suscita na mãe quando não come. Assim, ao conceber o campo do Outro como
marcado pelo significante, Lacan coloca a possibilidade de o sujeito se
reconhecer também como aquele que se encontra submetido às leis da linguagem.
“Há sempre algo que resta para além do que pode satisfazer-se
por intermédio do significante, isto é, pela demanda” (Lacan, 1957-58, p.379).
Destacamos, portanto, que a linguagem evidencia a “função desse desejo do
Outro, no que ele permite que a verdadeira distinção entre o sujeito e o Outro
se estabeleça de uma vez por todas” (Lacan, 1957-58, p.371).
O homem fala e, por isso, suas necessidades, o que ele carece, aparece sempre através da linguagem, nas demandas que o sujeito dirige ao Outro (Lacan, id.). A partir dos mecanismos próprios da linguagem, sabemos que a fala retorna sempre para o sujeito de forma invertida, alienada na fala do Outro.
O homem fala e, por isso, suas necessidades, o que ele carece, aparece sempre através da linguagem, nas demandas que o sujeito dirige ao Outro (Lacan, id.). A partir dos mecanismos próprios da linguagem, sabemos que a fala retorna sempre para o sujeito de forma invertida, alienada na fala do Outro.
A necessidade só aparece alienada na demanda, a qual, por sua
vez, se articula na cadeia de significantes. Sendo assim, podemos concluir que
“qualquer coisa que se dê para a necessidade será sempre interpretada em termos
de demanda de amor” (Clastres, 1990, p.51). Já que toda demanda é, antes de
tudo, demanda de amor, o objeto da necessidade é sempre obtido como objeto
signo de amor; o alimento é tomado na relação do sujeito com o Outro como moeda
amorosa. A partir da função da necessidade, o que a criança realmente busca é o
amor, o dom do que não se tem.
É a mãe, como Outro primordial, que fornece uma interpretação
ao grito do sujeito e demanda que ele aceite esse sentido dado por ela. A mãe
traz em si esse Outro, que pode ou não atender a demanda do sujeito, se
situando além da possibilidade de suprir as necessidades daquele. A demanda do
sujeito é regulada pelo jogo de presença – ausência da mãe, ou seja, é preciso
que o objeto falte em algum momento para que o sujeito possa demandar.
A demanda em si refere-se a algo distinto das satisfações por que clama. Ela é demanda de uma presença ou de uma ausência, o que a relação primordial com a mãe manifesta, por ser prenhe desse Outro a ser situado aquém das necessidades que possa suprir (Lacan, 1958b, p.697, grifo do autor).
A demanda em si refere-se a algo distinto das satisfações por que clama. Ela é demanda de uma presença ou de uma ausência, o que a relação primordial com a mãe manifesta, por ser prenhe desse Outro a ser situado aquém das necessidades que possa suprir (Lacan, 1958b, p.697, grifo do autor).
Enquanto a necessidade está do lado do instinto, do
conhecimento e da satisfação, a demanda se encontra ligada à pulsão, ao saber e
a seu estado de insatisfação, ou seja, ao que humaniza o homem. Lacan enriquece
essa diferenciação ao definir o instinto como um modo de conhecimento
necessário para que o ser vivo satisfaça suas necessidades naturais (Lacan,
1960, p.818). Em psicanálise, porém, não se trata do instinto, e sim da pulsão,
que comporta um saber que não se confunde com o conhecimento.
Se a necessidade se aliena na demanda, e se esta é dirigida a
um Outro, retornando para o sujeito, a necessidade também viria do Outro, já
que a noção de demanda implica que o sujeito recebe sua própria mensagem de
forma invertida. “A necessidade não é mais do sujeito, é do Outro, o que
obviamente a desnaturaliza de forma absoluta” (Eidelsztein, 1995, p.53).
Apesar de haver a alienação da necessidade na demanda, a
demanda não anula tudo da necessidade, não a substitui completamente. É a
partir da impossibilidade de sobrepor a demanda e a necessidade que surge um
resto dessa articulação, a saber, o desejo. A demanda transforma tudo em prova
de amor, anulando assim, “a particularidade de tudo aquilo que pode ser
concebido” (Lacan, id). Essa particularidade retornará no ‘para além da
demanda’. Nesse ponto, introduzimos a importante afirmação de Lacan segundo a
qual o desejo está articulado à demanda, mas não é articulável em si (Lacan,
1960), dito de outro modo, só temos notícias do desejo através da demanda, que
é, esta sim, articulável na cadeia de significantes. Uma questão se apresenta
então: onde situar o desejo, se o sujeito é, aqui, definido a partir da
articulação significante?
Lacan indica o caminho mostrando que o desejo “se esboça na
margem em que a demanda se rasga da necessidade” (Lacan, 1960, p.828).
O vão originário dessa articulação se deve à diferença
estrutural entre a demanda e a necessidade. Enquanto a demanda se apresenta
como apelo incondicional ao Outro, a necessidade introduz a impossibilidade de
existir uma satisfação universal (Lacan, ibid.). Com a entrada na linguagem, o
sujeito perde algo da necessidade: seu objeto particular e exclusivo, que não
passa pela demanda e aparecerá como característica do desejo, pois o desejo é o
que singulariza o sujeito (Eidelsztein, 1995).
Seguindo nosso raciocínio, não é a frustração de uma
necessidade que mantém o desejo, ou teríamos que admitir a existência de desejo
nos animais, os quais também estão sujeitos à frustração da necessidade.
O desejo é indestrutível e nenhuma satisfação obtida através
de um objeto real pode preencher a falta do sujeito. É assim que Lacan afirma
que “mesmo o desejo da criança nunca está ligado à pura e simples satisfação
natural” (1956-57, p.186). Quando Anna Freud, ainda pequena, após passar um dia
inteiro com fome, sonha com todas aquelas guloseimas - chegando a exclamar,
enquanto dormia: “Anna Freud, molangos, molangos silvestres, omelete, pudim”
(Freud, 1900 p. 164) -, esses objetos já aparecem como transcendentes, “já
estão na ordem simbólica e eles aparecem no sonho como interditos” (Lacan,
1956-57, p.186). O que esse sonho nos mostra é o desejo em seu estatuto de
insaciável, de insatisfeito.
É através do sintoma, aqui representado na relação peculiar
do sujeito com o alimento ofertado pelo Outro, que o sujeito tenta dar um
sentido ao desejo do Outro, fazendo uma equivalência entre o alimento e esse
desejo. Assim, o sujeito também põe à prova o lugar que ocupa para o Outro,
transformando o alimento em moeda de troca na busca por uma resposta sobre o
desejo do Outro.
Apesar de afirmarmos que, nesse sentido, o sintoma da
anorexia poderia ser entendido como uma posição desejante do sujeito, já que
ele introduz um não, um espaço entre ele e o Outro, não podemos nos esquecer
que essa saída não é um enfrentamento real da falta do Outro S (A/), e sim uma
ilusão de que caberia realmente ao sujeito introduzir, de modo onipotente, a
falta no Outro. Mesmo sendo uma postura desejante, o gozo está fortemente
presente nessa sintomatologia.
Um gozo que, a princípio, relacionamos com os representantes
do objeto a, seio e nada, e que é capaz de levar o sujeito à morte. Apostamos
que será através de um trabalho analítico que a falta no Outro será reconhecida
e trabalhada, gerando uma mudança no posicionamento do sujeito frente esse
Outro. O que a anorexia ilustra e nos ensina é a radicalidade da insatisfação
do desejo e, mais, que a satisfação de nenhuma ‘necessidade’ é capaz de calar o
desejo.
Bibliografia:
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CLASTRES, Guy. A significação do falo e um comentário do
‘Kant com Sade’. Salvador:
Fator, 1990.
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EIDELSZTEIN, Alfredo. El grafo del
deseo. Buenos Aires: Manantial, 1995.
FREUD, Sigmund . Obras completas ESB, Rio de Janeiro: Imago, 1996.
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LACAN, Jacques (1955-56) O Seminário. Livro 3: As psicoses. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1988.
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Zahar Editor, 1995.
Zahar Editor, 1995.
__________ (1957-58) O Seminário. Livro 5: As formações do
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de seu poder”. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998.
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Escritos.Rio de Janeiro: Jorge Zahar
Editor, 1998.
Editor, 1998.
_____________ (1959-60) O Seminário. Livro 7: A ética da
psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997.
_________ (1960) “Posição do Inconsciente”. In: Escritos. Rio
de Janeiro: Jorge Zahar Editor,1998.
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