quarta-feira, 6 de novembro de 2013
A DIFERENÇA ENTRE PSICOLOGIA E PSICANÁLISE
A DIFERENÇA ENTRE PSICOLOGIA E PSICANÁLISE
O discurso sobre a alma (em grego antigo psyche-logos, discurso sobre a alma, do qual a palavra psicologia vem) é uma investigação que nasceu nos tempos da Grécia antiga, entre outras relacionadas ao universo, à vida e à política. O primeiro “psicó-logo” foi Aristóteles (384 BC - 322 AC) um dos fundadores do pensamento ocidental e primeiro grande classificador das coisas do mundo. Em sua vida de pesquisas, Aristóteles categorizou o inteiro mundo conhecido na época, incluindo aquele da moral e do comportamento humano. Portanto, falou sobre a psique.
Freud (1856-1939), o fundador da psicanálise, não era um
psicólogo. Era um neurologista e o novo campo de conhecimento que ele descobriu
supunha um elemento desconhecido à psicologia e a todas as outras ciências
convencionais: o inconsciente. Ele chamou essa nova ciência de psicanálise
porque está baseada na análise da psique. A abordagem freudiana mantém a
tradicional distância entre o observador (o analista) e o objeto de seus
estudos (o paciente), portanto o analista freudiano fala pouco, escreve muito,
e analisa o paciente, como se ele e o analisando pertencessem a espécies
humanas diferentes. Esta perspectiva, entretanto, sacode as fundações do método
científico convencional.
A referência principal da psicanálise é o inconsciente, o
qual, por definição, está presente em toda pessoa, analista e paciente s, e
influencia as atividades conscientes e as percepções da realidade, também
distorcendo a visão e manipulando a compreensão racional. Freud caminhou sobre
um terreno instável que exigiria mudanças na epistemologia psicanalítica.
Epistemologia é o ramo da filosofia preocupada com a natureza do conhecimento,
cujas perguntas são: o que podemos conhecer? Quais são os limites do
conhecimento humano? Assim, se a psicanálise supõe o inconsciente como seu
objeto principal de estudos e o inconsciente é o desconhecido (tudo o que não é
consciente) que interfere com a forma como conhecemos o mundo, chegamos num
aparente círculo vicioso. Como, então, podemos afirmar qualquer coisa com
objetividade?
Quem se tornou consciente dessa revolução e de suas consequências
foi Jung (1875-1961), o qual alcançou horizontes que Freud não poderia
imaginar. O histórico de Jung deu-lhe a liberdade para investigar o campo
desconhecido que a psicanálise freudiana havia aberto. O método científico
positivista (oriundo das ciências biológicas) foi substituído por aquele
dialético (oriundo da filosofia) que melhor combina com a psique. A metodologia
de Jung aprofunda o dialogo entre consciência e inconsciente, que Freud já
utilizava, investindo na autoconsciência do analista e no que acontece na
relação analítica, mais do que na analise do paciente de fora para dentro.
A psicanálise é precisamente o dialogo reflexivo,
inteligente, estratégico, presente, sensível e construtivo com o inconsciente.
O psicanalista interage com seu inconsciente e aquele do paciente, ajudando
este último a fazer o mesmo. Este é o objetivo da análise, enquanto a “terapia”
tem o objetivo de “curar” como a palavra diz.
É por isso que, em psicanálise normalidade é um conceito
questionável, pois ele se refere ao mediano, à média estatística que ninguém
gosta de ser. A normalidade que se busca em psicanálise é a incomparável
singularidade da individualidade humana. Não só, a psicanálise, em sua versão
junguiana e pós-junguiana, se parece com a Física Quântica e sua revolucionária
abordagem à matéria. O observador e o observado interferem um com o outro sendo
a objetividade no sentido tradicional impossível. Não é por acaso que a
psicanálise nasceu na virada do século vinte junto à física moderna. Ambas
pertencem ao novo paradigma epistemológico acerca da compreensão da vida e de
seu significado.
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