Operadores
do tratamento
1. Sujeito dividido – S que resultam da
linguagem, na medida em que fala, e é falado, representado por significantes,
isto é: não colocados em categorias: toxicômano, SDF, Surdo, deprimido,
anoréxica...
2. Suposição um grande Outro que tem a
solução para o seu mal-estar, e que assim se sustenta – na condição de
semblante.
3. Saber ® da ordem do textual, feito de letras e
fórmulas lógicas que permitem ao sujeito o acesso ao seu enigma.
Conceitua a política de tratamento sob
três perspectivas:
Tática: Interpretação; 2. Estratégica:
Direção e transferência; 3. Política: Finalidade.
O Tratamento Breve
•Pautam-se na Política do Sintoma, que habita o sujeito pós-humano
.
•É um tratamento rápido, não vai além do sintoma, mas implica em
uma cura analítica.
•Diferentemente da cura antiga (Cottet), voltada à mudança
subjetiva, a terapêutica atual busca o alívio do desprazer.
•Não supõe um enquadre, ou um seting, não impõe a regra
fundamental, nem a associação livre, nem exige a novela familiar. Propõe apenas
o encontro entre um analista e um sujeito.
•Se o sujeito desejar uma análise posterior, evidentemente, ele tem
essa liberdade.
Efeitos Terapêuticos Rápidos.
O que isso significa?
•Decorrem da redução do gozo engendrado no sintoma.
•Não são obtidos por convencimento ou por sugestão.
•São produzidos pela escuta e pela intervenção no foco pulsional,
pela circunscrição do ponto de gozo.
•Obtenção de uma retificação do estado de satisfação da pulsão.
Sair da posição de objeto anônimo para uma nomeação: o batalhador, a
engraçadinha...
•Mudança na relação com o sintoma: o sujeito deverá dar-lhe forma
para que possa lidar com ele.
•Redução do sofrimento pela construção de um saber sobre o sintoma:
um saber fazer com isso – uma criação singular, própria do sujeito, não do
superou.
Parceria Amorosa Pós-moderna
O homem contemporâneo, produto da mascarada atual, não desiste do
seu desejo de ser amado. Mas, em lugar de pedir diretamente: senhoras amem-nos
(Miller), faz isso pela via do semblante histérico:
Veste uma nova roupagem do homem pós-moderno (...) homem
‘metrossexual’, que tenta se feminilizar com os adereços estéticos propostos
pelas histéricas contemporâneas, que fazem desse homem o seu brinquedo. E, se
deixando assim se fazer de feminilizado, sustenta um apelo ao romantismo.
Súplica muda desse homem tão fragilmente dependente do amor de uma mulher.
Tônica dessa nova parceria:
Discussão eternizada da relação, ou do abismo da relação (Laurent)
– requerida sempre pelas mulheres, e que causam calafrios nos homens, pois é
hora dele reconhecer a suas falhas, desculpar-se por elas e prometer que não
acontecerá novamente.
Outra Clínica
Trata-se de psicanálise aplicada à terapêutica (...) é uma
renovação clínica, com regras diferentes de funcionamento, é outra clínica, mas
conservando os princípios e a oferta da escuta para circunscrever algo do
sintoma. O ponto mais central e decisivo é que o atendimento deve restringir-se
a um ponto sintomático, aquele em que aquela pessoa e se enrosca com o real, e
que pode ser rearranjado – não é qualquer ponto, por isso há que haver ali um
analista, cuja escuta seja consoante aos sintomas atuais e ao tratamento que a
eles podemos dispensar sintomas estes que desprezam o simbólico .
Efeitos terapêuticos
Uma seqüência de sonhos dá a ver os efeitos terapêuticos desse
caso.
1. O sonho de ‘outro olhar: segue com amigas por um caminho
macabro, sem luz, estranho, e encontram uma estação de trem abandonada. De
repente cai o braço de uma máquina entre ela e as amigas, separando-as.
Para reencontrar as amigas teve que dar uma grande volta passando
por muita gente que a olhava quieta. Uma mulher entre essas pessoas a convida a
ficar com elas.
2. Os sonhos de pesadelos desaparecem.
3. O sonho de uma saída. Está nas alcantarillas de Bucarest . Tem
que sair dali, e uma cigana lhe segue atrás até que ela encontra uma luz no fim
de um túnel. Quando está do lado de fora, não vê mais a cigana. Ela encontra
uma saída, e ainda pode, via este sonho, desmentir as palavras de sua mãe que
dizia que as ciganas dão má sorte.
4. Uma raiva que aflora. Em uma conversa com o filho, este lhe diz
que os avós (maternos) não lhe deram uma ajuda que pediu porque era sábado –
dia em que a religião não permite fazer nada, dia destinado ao descanso. Ela
fica furiosa com eles por priorizarem a religião em detrimento do seu filho.
Extravasa isso com muita raiva.
5. Sonhos resolutórios. Aos anteriores seguem-se outros sonhos
resolutórios, terminando com o sétimo e último sonho: neste sonho ela acordava
e via aos pés da cama um homem sem cara, e a sensação que a tomava era de tranquilidade.
Efeitos e Transmissão
O enfadonho, o enfadonho é que, de todos os modos, sabemos que isso
tem bons efeitos.
Eu falo da análise. Que esses bons efeitos não durem mais que algum
tempo não impede que haja uma trégua e, é o caso de dizer: é melhor do que não
fazer nada.
O encontro com um analista produz efeitos. Estes efeitos – me
parecem que isso é o importante – podem ser transmitidos. Podem ser medidos de
alguma maneira para poder ser transmitido não só à nossa comunidade se não fora
dela.

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