INTERVENÇÕES TERAPÊUTICAS
Durante muitos anos o DOC foi considerado uma doença praticamente fora do alcance dos recursos terapêuticos. O advento de novos conhecimentos, seja na área da psicofarmacologia clínica, seja na abordagem cognitivo-comportamental felizmente transformaram em muito as expectativas terapêuticas para os pacientes com esta
perturbação.
O DOC, é um bom exemplo da necessidade de se integrarem as abordagens biológicas, psicoterápicas e sociais (incluindo terapia familiar) no seu tratamento.
Os dados disponíveis relativamente à eficácia das diferentes terapias existentes, mostramnos que, em relação ao DOC, a terapia cognitiva-comportamental tem sido a mais aplicada, dada a natureza da perturbação, e a que melhores resultados tem alcançado, o que, não invalida a aplicação de outros métodos psicoterapêuticos.
A psicoterapia psicodinâmica tradicional, embora útil na abordagem dos distúrbios de personalidade, que frequentemente se associam à perturbação obsessiva-compulsiva, não parece ser efectiva no tratamento das obsessões ou dos rituais compulsivos, muito embora, algumas de inspiração psicanalítica possam ser utilizadas, destacando-se as psicoterapias de apoio e as psicoterapias breves e focalizadas em que o contacto regular com um profissional interessado e empático pode permitir ao paciente um “suporte” sem o qual ficaria completamente incapacitado pelos sintomas.
TERAPIAS DE INSPIRAÇÃO PSICANALÍTICA
Inicialmente considerada como uma “boa” indicação para a Psicanálise ou Psicoterapia de Orientação Analítica, o DOC tem sido, cada vez mais, sujeito a apertados critérios de selecção com vista a garantir a eficácia após um certo desencanto em relação à remissão dos sintomas. Estes critérios incluem:
1- a existência de factores precipitantes claros.
2- a manutenção de investimentos sociais, culturais e profissionais.
3- capacidade para tolerar a ansiedade e a depressão.
4- capacidade de exprimir emoções.
5- nível intelectual elevado.
6- capacidade de “insight”
7- motivação para a cura
8- que os sintomas obsessivos estejam bem circunscritos sem nada que evoque psicose ou outro distúrbio de personalidade.
9- idade “precoce”.
Psicoterapia de Apoio
As psicoterapias de apoio têm como principal objectivo, atenuar ou suprimir a ansiedade, com a intenção de que o paciente possa retornar à situação anterior à crise, procurando ensaiar novas condutas durante o período psicoterapêutico. O terapeuta assume aqui um papel de docente agindo com alguma directividade.
Espera-se que o vínculo real com o terapeuta exerça também uma influência correctora. A visita periódica (2 a 3 meses) pode cobrir perfeitamente os objectivos desta terapia mas ela pode ser menos espaçada consoante a necessidade do paciente.
A inclusão de fármacos, destinada a reforçar o trabalho de suporte, contribui para solidificar o vínculo durante os intervalos entre as visitas. Evidentemente que as interpretações transferenciais devem omitir-se, apesar de que por vezes possam ser necessárias, sobretudo para tentar evitar os afectos prejudiciais da tranferência negativa.
Durante muitos anos o DOC foi considerado uma doença praticamente fora do alcance dos recursos terapêuticos. O advento de novos conhecimentos, seja na área da psicofarmacologia clínica, seja na abordagem cognitivo-comportamental felizmente transformaram em muito as expectativas terapêuticas para os pacientes com esta
perturbação.
O DOC, é um bom exemplo da necessidade de se integrarem as abordagens biológicas, psicoterápicas e sociais (incluindo terapia familiar) no seu tratamento.
Os dados disponíveis relativamente à eficácia das diferentes terapias existentes, mostramnos que, em relação ao DOC, a terapia cognitiva-comportamental tem sido a mais aplicada, dada a natureza da perturbação, e a que melhores resultados tem alcançado, o que, não invalida a aplicação de outros métodos psicoterapêuticos.
A psicoterapia psicodinâmica tradicional, embora útil na abordagem dos distúrbios de personalidade, que frequentemente se associam à perturbação obsessiva-compulsiva, não parece ser efectiva no tratamento das obsessões ou dos rituais compulsivos, muito embora, algumas de inspiração psicanalítica possam ser utilizadas, destacando-se as psicoterapias de apoio e as psicoterapias breves e focalizadas em que o contacto regular com um profissional interessado e empático pode permitir ao paciente um “suporte” sem o qual ficaria completamente incapacitado pelos sintomas.
TERAPIAS DE INSPIRAÇÃO PSICANALÍTICA
Inicialmente considerada como uma “boa” indicação para a Psicanálise ou Psicoterapia de Orientação Analítica, o DOC tem sido, cada vez mais, sujeito a apertados critérios de selecção com vista a garantir a eficácia após um certo desencanto em relação à remissão dos sintomas. Estes critérios incluem:
1- a existência de factores precipitantes claros.
2- a manutenção de investimentos sociais, culturais e profissionais.
3- capacidade para tolerar a ansiedade e a depressão.
4- capacidade de exprimir emoções.
5- nível intelectual elevado.
6- capacidade de “insight”
7- motivação para a cura
8- que os sintomas obsessivos estejam bem circunscritos sem nada que evoque psicose ou outro distúrbio de personalidade.
9- idade “precoce”.
Psicoterapia de Apoio
As psicoterapias de apoio têm como principal objectivo, atenuar ou suprimir a ansiedade, com a intenção de que o paciente possa retornar à situação anterior à crise, procurando ensaiar novas condutas durante o período psicoterapêutico. O terapeuta assume aqui um papel de docente agindo com alguma directividade.
Espera-se que o vínculo real com o terapeuta exerça também uma influência correctora. A visita periódica (2 a 3 meses) pode cobrir perfeitamente os objectivos desta terapia mas ela pode ser menos espaçada consoante a necessidade do paciente.
A inclusão de fármacos, destinada a reforçar o trabalho de suporte, contribui para solidificar o vínculo durante os intervalos entre as visitas. Evidentemente que as interpretações transferenciais devem omitir-se, apesar de que por vezes possam ser necessárias, sobretudo para tentar evitar os afectos prejudiciais da tranferência negativa.
Psicoterapias breves e
focais
As psicoterapias breves e focais de inspiração psicanalítica, têm como finalidade tratar um problema concreto ou ajudar a enfrentar um trauma importante na vida do sujeito.
Consistem fundamentalmente na “focalização”, na delimitação do problema nuclear; o tratamento centra-se na abordagem desse núcleo concreto e permite ao paciente a conciencialização emocional e a vivência dos motivos da sua conflitualidade.
O terapeuta deve ser muito activo e evitar que o “foco” se perca entre outros problemas do paciente. O período de tratamento está normalmente sempre bem delimitado desde o seu início.
O prognóstico deste tipo de tratamento depende sempre de uma correcta indicação e de uma adequada focalização.
Os critérios de selecção estão centralizados na capacidade de enfoque relativamente ao conflito, motivação para o tratamento, boa capacidade de introspecção, estabelecimento de uma relação adequada com o terapeuta e a capacidade de se enfrentar com o mesmo.
Para além destes critérios a psicopatologia que o paciente apresenta não deve ser grave. H. Davanloo (1978, 1980) criou uma técnica denominada psicoterapia dinâmica a curto prazo (short term dynamic psychotherapy), muito intensiva (10 a 20 sessões) e muito activa por parte do terapeuta.
Através de uma cuidadosa selecção diagnóstica, o terapeuta trata de vencer rapidamente as defesas do paciente a fim de lhe mostrar definitivamente quais são os seus sentimentos e impulsos básicos. Trata-se de uma técnica espectacular, que coloca o paciente numa situação muito difícil inicialmente, e como tal deve apenas ser utilizada por terapeutas altamente experimentados. (Vallejo, J.).
Tanto a técnica de Davanloo como as terapias focalizadas comportam uma série de princípios teóricos e técnicos, a saber:
1- Entrevistas diagnósticas de selecção.
2- Estabelecimento de uma aliança terapêutica precoce.
3- Planificação e focalização.
4- Participação activa do terapeuta.
5- Utilização das interpretações segundo os triângulos das pessoas e do conflito.
6- Busca de solução parcial dos conflitos infantis.
7- Fortalecimento do Eu do paciente.
8- Multiplicidade possível de recursos tarapêuticos (intervenções verbais não interpretativas, informativas, uso de psicofármacos, etc).
9- Tempo de tratamento limitado (6 a 9 meses).
A teoria dos triângulos é um sistema conceptual gráfico que permite vizualizar e teorizar sobre tudo o que sucede em toda a relação terapêutica.
Segundo Vallejo, as fontes desta teoria baseiam-se nos trabalhos de K. Menninger (1958), Malan e Molnos (1984). O primeiro triângulo representa o “conflito” e consiste nas defesas (D), angústia ou ansiedades (A) e sentimentos ou impulsos ocultos (I). Este triângulo está relacionado com o segundo, o das “pessoas”, porque todo o impulso (I) se dirige a uma ou mais categorias do triângulo das pessoas (O) que são os outros do passado recente ou presente, (T) é o terapeuta, através da transferência, e (P) as pessoas mais significativas do passado, geralmente os progenitores. (Vallejo, J.).
A ideia fundamental de Malan é a de que toda a relação terapêutica, a não ser que esteja totalmente mediatizada pelo terapeuta, se actualiza com este, pela transferência, surgindo os impulsos básicos do paciente, as suas ansiedades e defesas.
O técnico mostrará, então, que os conteúdos que se libertam no “aqui e agora” ocorrem também fora da consulta, isto é, com O e com P. Quando se efectua uma interpretação que implica os três vértices do triângulo, esta considera-se uma interpretação “completa ou total” constituindo normalmente uma revelação para os pacientes.
normal
As psicoterapias breves e focais de inspiração psicanalítica, têm como finalidade tratar um problema concreto ou ajudar a enfrentar um trauma importante na vida do sujeito.
Consistem fundamentalmente na “focalização”, na delimitação do problema nuclear; o tratamento centra-se na abordagem desse núcleo concreto e permite ao paciente a conciencialização emocional e a vivência dos motivos da sua conflitualidade.
O terapeuta deve ser muito activo e evitar que o “foco” se perca entre outros problemas do paciente. O período de tratamento está normalmente sempre bem delimitado desde o seu início.
O prognóstico deste tipo de tratamento depende sempre de uma correcta indicação e de uma adequada focalização.
Os critérios de selecção estão centralizados na capacidade de enfoque relativamente ao conflito, motivação para o tratamento, boa capacidade de introspecção, estabelecimento de uma relação adequada com o terapeuta e a capacidade de se enfrentar com o mesmo.
Para além destes critérios a psicopatologia que o paciente apresenta não deve ser grave. H. Davanloo (1978, 1980) criou uma técnica denominada psicoterapia dinâmica a curto prazo (short term dynamic psychotherapy), muito intensiva (10 a 20 sessões) e muito activa por parte do terapeuta.
Através de uma cuidadosa selecção diagnóstica, o terapeuta trata de vencer rapidamente as defesas do paciente a fim de lhe mostrar definitivamente quais são os seus sentimentos e impulsos básicos. Trata-se de uma técnica espectacular, que coloca o paciente numa situação muito difícil inicialmente, e como tal deve apenas ser utilizada por terapeutas altamente experimentados. (Vallejo, J.).
Tanto a técnica de Davanloo como as terapias focalizadas comportam uma série de princípios teóricos e técnicos, a saber:
1- Entrevistas diagnósticas de selecção.
2- Estabelecimento de uma aliança terapêutica precoce.
3- Planificação e focalização.
4- Participação activa do terapeuta.
5- Utilização das interpretações segundo os triângulos das pessoas e do conflito.
6- Busca de solução parcial dos conflitos infantis.
7- Fortalecimento do Eu do paciente.
8- Multiplicidade possível de recursos tarapêuticos (intervenções verbais não interpretativas, informativas, uso de psicofármacos, etc).
9- Tempo de tratamento limitado (6 a 9 meses).
A teoria dos triângulos é um sistema conceptual gráfico que permite vizualizar e teorizar sobre tudo o que sucede em toda a relação terapêutica.
Segundo Vallejo, as fontes desta teoria baseiam-se nos trabalhos de K. Menninger (1958), Malan e Molnos (1984). O primeiro triângulo representa o “conflito” e consiste nas defesas (D), angústia ou ansiedades (A) e sentimentos ou impulsos ocultos (I). Este triângulo está relacionado com o segundo, o das “pessoas”, porque todo o impulso (I) se dirige a uma ou mais categorias do triângulo das pessoas (O) que são os outros do passado recente ou presente, (T) é o terapeuta, através da transferência, e (P) as pessoas mais significativas do passado, geralmente os progenitores. (Vallejo, J.).
A ideia fundamental de Malan é a de que toda a relação terapêutica, a não ser que esteja totalmente mediatizada pelo terapeuta, se actualiza com este, pela transferência, surgindo os impulsos básicos do paciente, as suas ansiedades e defesas.
O técnico mostrará, então, que os conteúdos que se libertam no “aqui e agora” ocorrem também fora da consulta, isto é, com O e com P. Quando se efectua uma interpretação que implica os três vértices do triângulo, esta considera-se uma interpretação “completa ou total” constituindo normalmente uma revelação para os pacientes.

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